terça-feira, 15 de dezembro de 2015

Act I

I gave you my soul
And you gave me your sorrow
For sorrying about a stupid life
Of living something you don't care

I gave you life
Of being another
You gave me other lie

[As] I lay down floor tippy screaming

You awake from your easy dream
[In ecstasy of being you]
The truest truth of all the play
Playing eyes with the one I say

[Me in the shadows of another being]
Not to be me but not to be you
But truly a huge hollow inside the scene

Spawning words as fixing bugs
In face of being another who

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(14-12-15)

quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

Análise de um poema

Eu não está contido em amor
Assim como cheiro não contém uma flor
Que não pertence ao reino do teu rosto
Que não tem visão audição
Mas tato e gosto

As ideias dos teus degraus
São nada além de caos
Decalcados sem história e relevância
Apenas frutos de alternância

Como convinha ver
A vós um objeto estudado
Sem filo ou sofia
De um simples retrato

Fui perceber
Um descuido pequena saliência
Que me fez abandonar de vez
Qualquer ciência

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(30-11-15)

domingo, 29 de novembro de 2015

Hierarquia

O poema é um chato
que fala em vós
que falha em voz
e falsa teoria
faz acrescer
sem ter
seu correspondente

qualquer coisa descen(den)te

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(12-11-14)

sábado, 28 de novembro de 2015

Est rela

Minha Vênus do céu
Alva acordada
Abrir-se-á os olhos
A vida a alma
Alada acode
Fada de nada

Minha Vênus ao léu
A tarde lançada
Ao barqueiro rico
Pobre sem nada
Deita explode
Silenciada

Minha Vênus no céu
Ama acordada
Abrir-se-á alma
Vida estrada
Arfada sacode
Farta do nada

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(25-11-15)

segunda-feira, 9 de novembro de 2015

Verso

Ver com outros olhos
Pra não se acostumar com os seus
Pra não ver os erros
Pra não ver
Os seus erros
Quem te aconteceu

Era uma pessoa que via
Havia
Mas não era bem
Algo me viu que era cega
Mas não era eu
E não era ela

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(14-07-15)

sexta-feira, 9 de outubro de 2015

Desambiguação

Só de solidão
De solidariedade
Só de solidez

Só de
Uma (só) vez

Só de uma nota

Só de sentir dó
De sentir são

Mas solitário não

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(17-09-15)

segunda-feira, 5 de outubro de 2015

Laranja

Você é meu lado esquerdo
Meu lado canhoto
Errante
Torto vacilante

Me completa
Por não ser ambidestra
Por não ser canastra
(Se não suja, tampouco limpa)
Por não ser completa

E assim acerta
Porque mesmo errando
A gente vai ajudando
A formar um eu próprio
-Não melhor,
Antes sóbrio

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(08-09-15)

domingo, 4 de outubro de 2015

Outubro

Eu e você
Somos uma
E eu me aceito
Pois se rejeito
Me cubro
E não descubro
Que é primavera

Carrego minha cruz
Pois sem ela
Não há luz
E sem você
Não há treva
De sombra e silêncio

Somente o som escaldante
De um tempo ainda porvir
Avulso convulso
Sem nós a existir

E por enquanto flores crescem
E espinhos em meio ao céu
À volta em pares tecem

O você que sou eu

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(13-09-15)

segunda-feira, 27 de julho de 2015

Inverter

Silêncio.





Corpos presos ao chão.
Soterrados,
Por suas raí­zes e razão.
Humanos,
Fazem-se e são feitos
Pensamentos
À medida do existir.
Ao pó se misturam,
Como do pó houve de vir

Guerras.
Eternas.

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(27-05-14)

quinta-feira, 16 de julho de 2015

Vírus

Aqui dentro
        deles
        de mim
        falha na folha a tentativa
de um acerto incerto

Floresce
esquece
do ventre a mãe
ao gerar o menino
E brota
   se espalha
em secas
      espinhos
      lagos
      campinhos
Amadurece
cresce
mas tudo faz cair

Pois natureza bela
não é da mais sentinela

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(30-01-15)

quarta-feira, 15 de julho de 2015

Des-en-forma

Eu quis que as coisas fossem
chumbo
Mas você é pena, meu amor
(uma pena, meu amor)

Não podia te negar
até quando você fez
confirmar
conformar
o que eu já sabia e não

queria mais

Mas, amor, você voa
e eu só caio
com a lei da gravidade acima
(e a pressão logo abaixo)

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(14-05-15)

sábado, 11 de julho de 2015

Tentativa (ou política)

Me deixar entender
pra você
saber.

                                      O quê?
Nada que não saiba.
Tudo que soubesse
que saberia
de um pouco mais
de sabedoria.

                                      E o mundo?
Logo ali, à esquerda.

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(24-10-14)

Teia

A
Am
Amo
Amor
Amort
A morte
Amortec
Amortece
Amortecer
  Mortecer
     Ortecer
       Rtecer
        Tecer
          Ecer
            Ser
             Er
              R
           AR.

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(12-06-14)

Space

There are comets
there are moons
rounding through my head
all midnight
all midnoon.

Hold me tight
gravity
if you don't I shall fly
through shiny points
of light
ahead a wide-

(without knowing why)

Einstein told me I shall fall.

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(14-11-14)

Simetria

Trago um canto
aqui no canto,
que canto em dias felizes.
Eu (destra), sem coração,
me apego ao lápis,
pois só tenho
a mão.

A preciso
precisamente
por precisar um coração
(que, como destra,
não tem o outro lado
-e só um rim e um pulmão)

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(10-11-14)

Purificação

Minha poesia
Se consagra
Água fria
Que se enxágua
Que se tira
Toda mágoa
Que se cria
E se salva

Leve e
Releve
Ao revelar
Seu mais puro rosto
Não de desgosto
Mas de desgaste
Em que se hasteia
A teia de um torto

Mas por medo tenho eu
De revelar versos explosivos
Ab surdos versos
Sem boca ou ouvidos
E olhos convexos

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(10-07-15)

O poema falso

Miragem
Megera
Manda o
Mundo.
Prisão.

Atormenta,
Aguenta,
Assenta,
Assiste.
Não.

Foi
E faz
E fala
E fonte.
Fração.

Cria,
Recria,
Procria,
Descria.
São.

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(08-10-14)

Ide

Essa mania de conjuntivite
catapora hepatite
que dá náuseas
faz entrar
em meio às pausas
do ar

A vida na ida
dessa ode em massa
só me fez conhecer
que é melhor conhecer nada
que morrer

Mas já ao leito
deleito essa tal rinite
dos meus rins aceitos
e dessa luz que insiste

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(21-04-15)

Folha em branco

Na folha em branco
Escrevo, desenho
Preencho com tudo
Que sou e que tenho.

Na folha em branco
O lápis gira e corre
E na última frase
Com o ponto ele morre.

Na folha em branco
Começa a imaginação
Constrói prédios e barcos,
Amor e destruição.

Na folha em branco
Há a folha em branco.
Rasgada, queimada.
Fim do encanto.

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(2011)

Erro

Meu canto
não foi o canto
do nosso canto
assim como não foi o canto
do canto só seu.

Sinfonia de almas
tão distintas
tão sucintas

distopia

do passado
já feito
defeito
e
feito

de imperfeito.

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(13-11-14)

Decay

Today I don't want to write.
I want to do nothing
To get satisfied.
I think my head will explode,
But I don't know why.

Looking at the stars
I see nothing more.
I can't feel anything,
Much less my core.

How can a poet stop to poetize?
I didn't know it was possible,
Until there was nothing here inside.

Now there are two lines left:
One is a rest of rhyme a little mad.

And the other, lonely, is no more poetry.

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(23-04-14)

Concha

Aqui dentro
não há espaço para o mundo
por mais mundo que haja

Aqui dentro
uma caixa sem
tampa

as cores
     formas
     flores em broto
     brotos em flores
nada sai
nada entra
nada

anda

e eu
e ele
tão mortais
mas nada mais
como essa caixa
que não      encaixa
            [se]

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(25-01-15)

Barreira

Ergueu-se
e ficou lá
a admirar a gente que passava.
Não gritava,
não batia palmas.
Observava.

Quando da muralha caiu
veio a peste que a cidade
assolou.

Criou garras.
Na muralha mais forte
fincou.

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(06-11-14)

...

Ela falava em volapuque
e eu bem entendia.
Seu nome ecoava:...

Nome a mim perfeito,
pretérito jamais seria.
Minha mente caminhava:
ao seu encontro ia.

A mim tanto importava
tê-la à noite, sê-la ao dia.
Porque eu tanto imaginava
só você, só...

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(02-11-14)