segunda-feira, 27 de julho de 2015

Inverter

Silêncio.





Corpos presos ao chão.
Soterrados,
Por suas raí­zes e razão.
Humanos,
Fazem-se e são feitos
Pensamentos
À medida do existir.
Ao pó se misturam,
Como do pó houve de vir

Guerras.
Eternas.

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(27-05-14)

quinta-feira, 16 de julho de 2015

Vírus

Aqui dentro
        deles
        de mim
        falha na folha a tentativa
de um acerto incerto

Floresce
esquece
do ventre a mãe
ao gerar o menino
E brota
   se espalha
em secas
      espinhos
      lagos
      campinhos
Amadurece
cresce
mas tudo faz cair

Pois natureza bela
não é da mais sentinela

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(30-01-15)

quarta-feira, 15 de julho de 2015

Des-en-forma

Eu quis que as coisas fossem
chumbo
Mas você é pena, meu amor
(uma pena, meu amor)

Não podia te negar
até quando você fez
confirmar
conformar
o que eu já sabia e não

queria mais

Mas, amor, você voa
e eu só caio
com a lei da gravidade acima
(e a pressão logo abaixo)

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(14-05-15)

sábado, 11 de julho de 2015

Tentativa (ou política)

Me deixar entender
pra você
saber.

                                      O quê?
Nada que não saiba.
Tudo que soubesse
que saberia
de um pouco mais
de sabedoria.

                                      E o mundo?
Logo ali, à esquerda.

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(24-10-14)

Teia

A
Am
Amo
Amor
Amort
A morte
Amortec
Amortece
Amortecer
  Mortecer
     Ortecer
       Rtecer
        Tecer
          Ecer
            Ser
             Er
              R
           AR.

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(12-06-14)

Space

There are comets
there are moons
rounding through my head
all midnight
all midnoon.

Hold me tight
gravity
if you don't I shall fly
through shiny points
of light
ahead a wide-

(without knowing why)

Einstein told me I shall fall.

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(14-11-14)

Simetria

Trago um canto
aqui no canto,
que canto em dias felizes.
Eu (destra), sem coração,
me apego ao lápis,
pois só tenho
a mão.

A preciso
precisamente
por precisar um coração
(que, como destra,
não tem o outro lado
-e só um rim e um pulmão)

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(10-11-14)

Purificação

Minha poesia
Se consagra
Água fria
Que se enxágua
Que se tira
Toda mágoa
Que se cria
E se salva

Leve e
Releve
Ao revelar
Seu mais puro rosto
Não de desgosto
Mas de desgaste
Em que se hasteia
A teia de um torto

Mas por medo tenho eu
De revelar versos explosivos
Ab surdos versos
Sem boca ou ouvidos
E olhos convexos

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(10-07-15)

O poema falso

Miragem
Megera
Manda o
Mundo.
Prisão.

Atormenta,
Aguenta,
Assenta,
Assiste.
Não.

Foi
E faz
E fala
E fonte.
Fração.

Cria,
Recria,
Procria,
Descria.
São.

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(08-10-14)

Ide

Essa mania de conjuntivite
catapora hepatite
que dá náuseas
faz entrar
em meio às pausas
do ar

A vida na ida
dessa ode em massa
só me fez conhecer
que é melhor conhecer nada
que morrer

Mas já ao leito
deleito essa tal rinite
dos meus rins aceitos
e dessa luz que insiste

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(21-04-15)

Folha em branco

Na folha em branco
Escrevo, desenho
Preencho com tudo
Que sou e que tenho.

Na folha em branco
O lápis gira e corre
E na última frase
Com o ponto ele morre.

Na folha em branco
Começa a imaginação
Constrói prédios e barcos,
Amor e destruição.

Na folha em branco
Há a folha em branco.
Rasgada, queimada.
Fim do encanto.

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(2011)

Erro

Meu canto
não foi o canto
do nosso canto
assim como não foi o canto
do canto só seu.

Sinfonia de almas
tão distintas
tão sucintas

distopia

do passado
já feito
defeito
e
feito

de imperfeito.

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(13-11-14)

Decay

Today I don't want to write.
I want to do nothing
To get satisfied.
I think my head will explode,
But I don't know why.

Looking at the stars
I see nothing more.
I can't feel anything,
Much less my core.

How can a poet stop to poetize?
I didn't know it was possible,
Until there was nothing here inside.

Now there are two lines left:
One is a rest of rhyme a little mad.

And the other, lonely, is no more poetry.

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(23-04-14)

Concha

Aqui dentro
não há espaço para o mundo
por mais mundo que haja

Aqui dentro
uma caixa sem
tampa

as cores
     formas
     flores em broto
     brotos em flores
nada sai
nada entra
nada

anda

e eu
e ele
tão mortais
mas nada mais
como essa caixa
que não      encaixa
            [se]

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(25-01-15)

Barreira

Ergueu-se
e ficou lá
a admirar a gente que passava.
Não gritava,
não batia palmas.
Observava.

Quando da muralha caiu
veio a peste que a cidade
assolou.

Criou garras.
Na muralha mais forte
fincou.

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(06-11-14)

...

Ela falava em volapuque
e eu bem entendia.
Seu nome ecoava:...

Nome a mim perfeito,
pretérito jamais seria.
Minha mente caminhava:
ao seu encontro ia.

A mim tanto importava
tê-la à noite, sê-la ao dia.
Porque eu tanto imaginava
só você, só...

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(02-11-14)